Da janela

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Dentes afiados

Uma resenha de Cronologia da Água e um ensaio sobre a dor

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Isadora Sinay
mai 13, 2026
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Lá no início do ano, quando em muitos sentidos minha vida ainda era outra, eu recebi um email de uma distribuidora me convidando para uma sessão de A Cronologia da Água, o filme que a Kristen Stewart dirigiu. Eu não pude ir, eu estava, ironicamente, na praia, a única água que eu tive em todo o último verão, mas eu fiquei intrigada por um filme que fez uma pessoa de marketing vir diretamente falar comigo.

Então, meses depois, quando (empurrado de um lado pro outro, coitado) o filme finalmente estreou, eu fui. E demorou um pouco, mas eu entendi porque ele pareceu tão obviamente um filme para essa newsletter.

De início, eu confesso, ele me pareceu sofrer do mesmo mal de Uma Vida Pequena: um livro que não passa de uma série de desgraças empilhadas, no qual o protagonista não tem nenhum arco e nada se desenvolve, mas como o leitor chora bastante, ele acha que está lendo algo profundo. Três traumas empilhados embaixo de um sobretudo fingindo ser um romance, basicamente. E vejam, eu li esse livro lá na época, dez anos atrás, em que todo mundo leu e eu li bastante rápido (o que, vamos ser justos também, pode ser porque eu passei parte do tempo deitada em uma praia do Camboja e depois muitas horas em ônibus tailandeses e postos kafkianos de fronteira) e eu fui de fato envolvida pela prosa da Hana Yanagihara, a coisa toda é sedutora. Mas aí tem o final, ainda bem, para me trazer de volta ao bom senso de que aquilo é um experimento bastante raso.

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